terça-feira, maio 02, 2006


VIAGEM DOS DEPUTADOS VÃO SER MAIS CONTROLADAS

Os subsídios de deslocação, dos deputados eleitos por círculos eleitorais onde não residem, podem vir a ter um maior controlo pelo Conselho de Administração do Parlamento.
Estes deputados são aqueles que os partidos colocaram nas listas, por meros interesses partidários, mas que não vivem e muitos deles nem sequer conhecem os círculos eleitorais (Distritos) pelos quais concorreram e foram eleitos.
A “bronca” rebentou quando o “Jornal de Noticias” noticiou que os deputados José Raul do Santos e José Freire Antunes (ambos do PSD) receberam subsídios de deslocação sem nunca ter colocado os pés no Distrito do Porto, no qual foram eleitos. A noticia foi baseada pelas declarações da Distrital do Porto do próprio PSD.
Na edição de hoje do mesmo jornal, Agostinho Branquinho da Distrital do PSD, diz que “ para o PSD/Porto não é letra morta o princípio da aproximação dos eleitos aos eleitores” e que nesse sentido “queremos que os nossos eleitos prestem contas, pelo principio da responsabilidade e da transparência no exercício das suas funções públicas”.
Até ao momento, bastava a palavra dos deputados para receberem os respectivos subsídios de deslocação.


Se aprofundar-mos a situação o problema de base não reside apenas no pagamento, ou não, dos subsídios de deslocação. O problema reside no facto dos partidos políticos, por interesse de clientelismo, colocarem candidatos em círculos eleitorais que nada dizem aos candidatos e com os quais não possuem qualquer ligação.
Temos candidatos – como exemplo - que vivem, e sempre viveram, em Lisboa a concorrerem por círculos eleitorais do nordeste transmontano, no Alentejo ou no Algarve.
O problema reside no facto das listas eleitorais dos partidos se basearem em clientelas politicas e não em pessoas que tenham a ver com os círculos em que concorrem.
O problema é que o eleitor é incutido a votar no partido e não nos deputados que constam nas listas a sufrágio.
O problema está na forma e não nos resultados que dai provêm.
Quando um deputado figura nas listas dum determinado círculo eleitoral, por vontade e negociação das cúpulas partidárias, só presta contas a essas mesmas cúpulas e só se preocupa com a opinião delas.
Manuel Abrantes

Comentários:
Concordo em absoluto com as interrogações que apresenta sobre a forma da cosntituição das listas de candidatos às Legislativas.
E algo que tem de ser mudado e com urgência
 
"Quando um deputado figura nas listas dum determinado círculo eleitoral, por vontade e negociação das cúpulas partidárias, só presta contas a essas mesmas cúpulas e só se preocupa com a opinião delas."
Excelente!
È aqui que reside o problema. E que os deputados não se preocupam com a opinião dos seus eleitores sobre a sua intervenção politica mas sim quem os coloca nas listas.
E quem os coloca são as cupulas partidárias.
Sérgio Gomes - Braga
 
Um tema muito bem levantado.
Parabens sr. Abrantes.
 
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