quinta-feira, agosto 02, 2007


OS PARTIDOS EM PORTUGAL
FORAM-SE OS PRINCÍPIOS E AS IDEOLOGIAS
FICARAM AS CARAS DOS LIDERES


Quem acompanha, diariamente, a actividade politica-partidária em Portugal não tem a menor dúvida de que as ideologias e os princípios programáticos dos partidos foram parar ao caixote do lixo. Se é que alguma vez existiu, na realidade, princípios ideológicos e princípios programáticos.
Hoje o PS é o Sócrates, o PSD é o Marques Mendes, o CDS o Portas, o Bloco o Louçã, o PCP o Jerónimo e até os candidatos à 1ª Divisão do campeonato da política seguem o mesmo sistema. È o Monteiro no PND (parece que se demitiu), o eterno Garcia Pereira no MRPP, o Câmara Pereira (deputado nas bancadas do PSD) no PPM e, mesmo no recém-chegado movimento Nacionalista, o Pinto-Coelho no PNR.

Só vemos caras! E quem vê caras não vê corações. Lá dizia o velho ditado.
Na campanha em Lisboa o que se falou foi em António Costa, Negrão, Carmona, Helena, Ruben, Sá Fernandes, Telmo Correia e mesmo nos candidatos, considerados – e tratados ! – como uma Divisão secundária lá estava o Zé do PNR, o Garcia Pereira do MRPP, o Câmara Pereira do PPM e não posso esquecer do Quartin Graça do Partido da Terra e o Monteiro do PND

Primeira questão:
Alguém sabe que era – em qualquer das listas – o segundo nome que constava nela?
Já não falo nos outros. Apenas no nome que seguia ao líder.

Segunda questão:
Alguém leu os princípios com que se regiam os programas eleitorais das listas candidatas ?
Cada um dos leitores que fique com as suas resposta.

Isto foi na Câmara de Lisboa.
Se transcrever-mos esta situação para a Legislativas, onde a eleição é feita por Distritos, quem são os eleitores que conhecem os nomes que compõem as listas distritais do partido em que vai votar ?
A esmagadora maioria (esmagadora das esmagadoras) nem sequer sabe o nome do cabeça de lista que vai eleger. Nem sabe nem o conhece. Nem conhece o cabeça de listas, nem na esmagadora maioria (esmagadora das esmagadoras) dos cabeças de lista, conhecem o Distrito por onde concorrem e por onde vão ser eleitos.
Tudo é feito mediaticamente pelos jornais, rádios, canais televisivos e pelas máquinas partidárias.

Os eleitores apenas têm de se deixar guiar pelas informações que lhes chegam através dos meios de comunicação social.
Até as folclóricas visitas às feiras e mercados - com os respectivos beijinhos às peixeiras – só existem para as televisões filmarem e passarem as imagens nos horários nobres.

E os líders batidos nesta andanças sabem apresentarem-se com as vestimentas apropriadas para os eventos – o marketing de imagem, também, trata disso… - e não há pó de arroz que chegue para borrar na cara e aparecer fresco e saudável aos olhos do Zé povinho televisivo. Nem o pó de arroz no rosto nem o baton nos lábios.

Se isto é a Democracia participativa qualquer dia faço como já está a fazer a maioria:
Os jornalistas, os comentadores políticos, os especialistas em sondagens, os batedores de palmas e carregadores de bandeirinhas que votem que eu fico em casa.
A não ser que o PS me pague uma excursãozinha a Lisboa, com a respectiva jantarada e passeio pelos arredores, para eu bater umas palminhas ao líder vencedor.
Será só o PS, ou há mais ?
Se não for o PS que seja o PSD, ou outro qualquer. Às passeatas e jantaradas não se olha a quem.
Como diz o velho ditado: - A cavalo dado não se olha o dente.
Ou será ao burro ?
Manuel Abrantes



Comentários:
Este seu texto é muito interessante pela temática abordada.

Terão acabado os princípios e as ideologias nos Partido políticos portugueses.
Ou eles são-nos, deliberadamente, apresentados como neutros, sem a perspectiva ideologica subjacente às suas acções e projectos?

Esta é para mim a questão central.

Aqueles que apresentam os partido como todos iguais, como farinha do mesmo saco, sem distinções de maior, apenas com rostos diferentes, terão razão?

É certo que existem partidos que alternando-se no poder (PS, PSD e CDS) poucas diferenças revelaram possuir.
Mas isso não quer dizer que não têm princípios e ideologia, pelo contrário.
São partidos do sistema, partidos da social-democracia - uma vezes mais liberais, outras mais conservadores.

O PS é ou não um Partido do Liberalismo, inserido nas correntes europeias mais modernas desta ideologia - fim do serviço público, privatizações, desregulação das relações laborais, tudo com o pretexto da modernidade, da inovação e tecnologia.

É certo que existem partidos mais dependentes da figura do líder do que outros.
As funções de um secretário-geral do PS ou do PCP não são as mesmas.
O primeiro dirige o Partido, define a estratégia, conduz a acção, é o chefe máximo, o segundo, representa o colectivo partidário, dá a cara por um todo, tem visibilidade mediática, mas limita-se à função de representação do Partido.

Os partidos são realidades distindas, organizam-se em função dos tais princípios e ideologias que muitos afirmam terem deixado de existir, mas a realidade demonstra precisamente o inverso.

Bom, e o PNR, apesar do seu lider ser o cabeça de cartaz, não me vai dizer que é um partido sem princípios e sem ideologia (até pode andar confuso, mas que a tem é inegável).


É verdade que a maioria das pessoas não conhece os programas e os candidatos dos partidos, é verdade que a democracia pouco tem de participativa, é verdade que não existe uma cultura e uma educação para a cidadania.
É verdade que os próprios partidos do sistema (leia-se: capitalista) têm promovido esse afastamento, essa distância.
Mas também é verdade que os portugueses se demitiram das suas responsabilidades cívicas, deixaram nas mãos de outros aquilo que a eles diz respeito - chegam mortos a casa depois de um dia de trabalho, sem condições para a participação na associação, no clube, no partido, etc.

Não deixa de ser interessante verificar que por exemplo em algumas autarquias têm sido realizadas experiências muito interessantes ao nível da participação popular no processo decisório, mas ainda não passam disso mesmo - experiências.

Do seu texto, fiquem sem compreende se entende que deixaram de existir ideologias e princípios nos Partidos?
 
Caro Abrantes, olhe que pode aplicar este seu texto aos partidos que queira, mas ao PNR não. O PNR é um partido anti-sistema com forte carga ideológica e por isso é amado ou odiado.

O partido com as caracteristicas do PNR tem que ter uma cara e um lider tal como acontece nos outros partidos nacionalistas europeus.

Quanto aos programas? Será que alguma vez na vida algum votante conheceu o programa do partido onde votou? Não me parece. Isso é pura fantasia, já que as pessoas votam por clubismo, por moda ou por ideologia, mas tão-se cagando para o programa.
 
"Culto do Chefe"?
Culto da personalidade e do "n.º1" do Partido?

Basta ir ao site do PNR e ver a foto do Pinto Coelho por toda a parte.

Lá ser o rosto do Partido, ele é, mas...
 
Meu Caro
Abrantes,
Concordo consigo sem tirar nem pôr.
Infelizmente isso também intreressa a muita gente, principalmente aos partidos de poder, tal com se quer amalgamar este Povo, também "interessa" que a visão que o Povo tem da política e dos políticos (parece contraditório mas é verdade), seja a de que são todos "muito" democráticos e que no fim tanto faz votar no A como no B, o resultado é o mesmo.
Por isso, hoje a propaganda política ser feita não por ideólogos, mas por publicitários.
"Vender" um político ou um sabonete, é exactamente o mesmo, depende dos interesses de quem controla os políticos, quem é que tem uma cara "mais bonita", para aparecer bem no boneco, quanto a demais, toda a gente sabe, a grande maioria dos políticos não passa de paus-mandados do sistema.
Cumprimentos.
 
Agora o problema é a cara do Pinto Coelho em toda a parte!
Só demonstram os comichosos inúteis que são e o que realmente pretendem...
 
Pronto!
Como não digo "amén" a tudo o que pensam os donos e senhores da "capela" já passei a besta.

Quer que eu lhe conte uma história sr fpm?
Então aqui vai:
Eu tive um director-geral que se gabava de nunca ter despedido um ùnico funcionário.
Mas quem olhava em redor o que via era um entra e sai de funcionários.
O director tinha razão: Não despedia ninguen,. Mas chateava tanto quem contrariasse as suas idéias que não lhe restava outro caminho ao funcinário que não fosse despedir-se.
Entendeu. Não entendeu?
 
Este comentário foi removido pelo autor.
 
Sr.Abrantes,
eu estava a dirigir-me ao anónimo que referiu a fotografia do Pinto Coelho, não penso que lhe servissse a carapuça, para se ter preocupado em responder a esse meu comentário.
Quanto às suas históiras eu não quero que me conte histórias nenhumas, quero é precisamente o contrário, que o Sr.Abrantes se deixe de histórias e passe ao trabalho.
Mas já agora respondo à sua história, que compreendi perfeitamente, com outra pergunta. Esse seu chefe "chateava" marcando faltas aos empregados, fazendo reparos, e preocupando-se com a produtividade ou chateava porque lhe apetecia e para gozo pessoal? É que se era isso era realmente um traste, agora se estava preocupado com a empresa, se era produtividade o que o preocupava, acho muito bem que chateasse, afinal de contas cabia a ele orientar a empresa e zelar pelo seu bom funcionamento, e para calões, trapaceiros, e funcionários, já basta os tachos nas empresas públicas.
 
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