quarta-feira, outubro 31, 2007


ESCUTAS TELEFÓNICAS
UMA POLÉMICA QUE PODE ESCONDER ALGO MAIS…



O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, foi ouvido pela Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais e repetiu perante os deputados o que tinha afirmado na entrevista ao semanário Sol, em que considerou que existe um excesso de escutas telefónicas em Portugal.
O Procurador chamou a atenção para a facilidade que qualquer cidadão possuiu em adquirir aparelhos para esse fim. Eles estão à venda na Internet, em lojas de material informático e, muito especialmente, em lojas de bugigangas lá para os lados do Martim Moniz, em Lisboa. Isto, já para não falar dos anúncios públicos de detectives privados a oferecer esse tipo de serviços.
Se o que o Procurador quis denunciar na entrevista ao semanário Sol foi apenas isto, então a montanha pariu um rato.
Tanto alarido por uma coisa que é do domínio público, sobre as quais as entidades fiscalizadoras já, há muito, que deveriam ter actuado.

Mas, no meio de toda esta polémica, está subentendido o recado para os organismos policiais. Isto foi uma verdade imensurável. Até porque o Procurador considerou, nas suas explicações à Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias que, se o poder politico decidir atribuir aos serviços de informações a possibilidade de realizarem escutas, será essencial que haja um controlo das mesmas por um juiz.
Pinto Monteiro respondia, assim, ao deputado do CDS-PP Nuno Melo, que mencionou a existência de novo diploma para alterar a Lei de Segurança Interna que, segundo o parlamentar, passaria o controlo das escutas "da Polícia Judiciária para o Governo, por intermédio do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna designado pelo primeiro-ministro.

Pinto Monteiro reafirmou que entende que as escutas telefónicas como meio de prova são exageradas. O Procurador, em relação às suas afirmações ao Sol, esclareceu . "-Disse que eram exageradas no sentido de que têm sido exageradas. É um alerta para o Ministério Público", declarou, defendendo que as escutas no âmbito da investigação criminal devem ser feitas "com peso e medida", pois são um "meio excepcional de prova”.
Pinto Monteiro salientou também o facto de não ter poderes suficientes para controlar e fiscalizar esta actividade. Por isso, alertou para a necessidade de instaurar «poderes de inspecção das polícias (PJ, PSP e GNR) com o Procurador a saber em tempo real quais as escutas feitas, quando, como e porquê”.

LEMBREM-SE DISTO:

Não tenho uma idade muito avançada mas já vivi em dois regimes: o Corporativo e o regime Democrático.
Sem pretender comparar o incomparável, devo lembrar um dos grandes erros iniciados ainda no período da gestão governativa do Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar.
Volta o repetir: - Não comparar o incomparável.
Salazar criou a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa da Estado) para fazer face aos momentos de grande agitação no país e no resto do mundo.
Deu-lhes todo o poder de vigilância que depressa se tornou num poder de perseguição abusiva. Depressa confundiram vigilância com perseguição.
Quando reparou que a “besta” estava incontrolável mudou-lhe o nome para PIDE (Policia Internacional de Defesa do Estado). A mudança não surtiu efeito de espécie alguma e os abusos nas perseguições não só aumentaram como se incentivaram.
Esta polícia política já não defendia o Estado mas controlava-o, assim como toda a sociedade em geral. Tornou-se um estado dentro do Estado. Um poder absoluto sem regras nem controlo.
Marcelo de Caetano, que nunca teve o poder politico de Salazar, tentou a mesma estratégia mudando-lhe o nome para DGS (Direcção Geral de Segurança). Mas, nada mudou a não ser algum abrandamento nas perseguições políticas. Até porque, com a guerra nas Províncias Ultramarinas, dedicaram-se mais ao apoio militar.

Esta policia política foi a causadora da queda do regime que dizia defender. Isto é uma verdade!!!
As acções de perseguição desenfreada, não só deram mais força às hostes comunistas como viraram as populações contra o regime. E o regime Corporativo caiu de podre porque foi minado por uma polícia que se auto-consagrou de “senhora absoluta” na defesa do indefensável. Aliás, apenas se defendeu a ela própria e não os interesses do regime. Nem do regime nem da segurança do Povo.
Não pretendo comparar as polícias de hoje com as polícias de ontem. Até porque não se podem comparar os regimes, nem os tempos.
Pensem nisto.
Manuel Abrantes

Comentários:
Excelente aviso à nevagação.
Fala quem sabe; fala a experiância.
Mário Contumélias
 
M. Abrantes
-Que conhecimentos tem sobre a pide para falar dela com tanto á vontade ?
 
Olhe sr. Anónimo.
Ninguém em Portugal desconhecia tal organização policial.
Eu fui um jovem do regime que soube apoiar o que entendeu apoiar e criticar ABERTAMENTE o que entendeu criticar.
Fui um critico da forma de actuação desta polícia no que concerne à parte politica.
Atenção que ela não se dedicava somente à vigilância politica.
O que digo hoje já o afirmei e defendi as minhas convicções há mais de 33 anos. E disse-o nos locais próprios: - dentro das estruturas do regime de então. E ninguém me prendeu por isso.
 
Simplesmente: BRILHANTE,
Parabens senhor Manuel Abrantes
 
Os anos não passam por ti- "velho" companheiro das duras verdades.
Sou anónimo e vou continuar a se-lo.
 
"Quem não é por nós é contra nós."
Viva SALAZAR
Viva PORTUGAL
 
Também não exageremos - sr. nacional integralista
 
Penso que era importante que o Manuel Abrantes passasse a terminar os seus textos sempre com a emblemática expressão salazarista:
A BEM DA NAÇÃO!

O José Maria Martins, que até era do PS e não se reivindica do nacionalismo, já está a proceder assim no seu Blog.
Já que o Manuel Abrantes abordou o tema sempre polemico da PIDE (que não fez nem uma terça parte das coisas que lhe atribuem) sugiro que proponha que uma das conferencias futuras do MN seja sobre esse tema, visando uma melhor clarificação do que foi realmente a acção da PIDE em Portugal e no Ultramar. Convide para a conferencia o sempre polemico inspector Oscar Cardoso, que até gosta desse tipo de coisas, faça a devida divulgação, e tem garantido um grande exito de bilheteira....porque Salazar, a PIDE e a guerra do ultramar vendem que se farta hoje em dia....
 
Pois sr (a) anónimo.
Aqui não se vende nem se compra nada.
Aqui, neste blogue, não se fazem negócios. Enganou-se na porta. Ou no blogue...
Mas vá lá dando umas espreitadelas aqui pelo "Estado Novo". Não paga nada por isso.
È de borla.
 
Anónimos há muitos... infelizmente. São na maioria cobardes e frustrados, e escondem-se debaixo de máscaras por vezes perigosas. Creio que até já descobri o anónimo que me persegue lá pelo meu "canto", e que muda de nome todos os dias, desde "caixa de pandora"... a "eh eh eh"...
 
É de louvar a atitude do PGR.
Felizmente apareceu um homem com eles no sitio, que não tem medo de dizer ao POVO o que se passa na justiça do nosso país, se somos portugueses para pagar também somos portugueses para saber como está o nosso país.
Não há que ter medo de falar, porque o problema deste país é tentar 3esconder os podres, mas um dia começa a cheirar mal e é descoberto e depois quem foi? abertura de inqueritos é o que sempre se faz nessas alturas, e o resultado dele já nós sabemos qual é, quando há resultado porque a maior parte das vezes é forçosamente esquecido por intereces de alguem.
Basta de mentirosos, e cubardes, de vigaristas, sim vigaristas que vigarizam o povo dia a dia.
Quando temos uma maça podre no cesto da fruta, temos que tirar peça por peça, limpalas bem, lempar bem o cesto até ao fundo, bem no fundo, e depois de tudo limpo colucar de novo a fruta dentro do cesto.
O que é preciso em Portugal é limpar os "cestos" com fruta podre que anda dentro deles, só assim é que podemos ter esperanca em irmos para a frente.

Rui pires da Silva
 
Mas ainda alguém dúvida que a actual SIS, não é mais que um prolongamento da antiga PIDE.
E que se julga impune, assim como faz o que lhe apeteçe e com quem quiser, sem estár ninguém a vigiá-lo.
Esta é que é a verdade !!!

marcorijo
 
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