terça-feira, setembro 02, 2008


UM PAÍS EM FESTA

2,8 milhões de euros foram os gastos da autarquias, só no mês de Agosto., nos chamados contratos por ajustes directos. Ou seja: contratos não entregues por concursos públicos, consulta pública ou negociação com mais que uma entidade.
As autarquias são as entidades públicas que mais adjudicações destas realizaram. Em mês de férias e festas populares não será pois surpreendente constatar que quase a totalidade desta despesa foi feita com a montagem de espectáculos, animação e a realização de concertos.

Pode não haver dinheiro para as obras mais necessárias, mas para os marcos paulos, os emanueis e as marlenes tem de aparecer. O Povo gosta e esquece, por momentos, os problemas locais e nacionais.E nestas festanças lá aparece o senhor (a) presidente, mais a vereação da sua cor partidária, para receber os agradecimentos populares.
São apertos de mão para aqui, são beijinhos para ali e o povo agradece o espectáculo gratuito oferecido pela digníssima autarquia.
E sai palmas e palminhas e que “viva o senhor(a) presidente”.
Os cantores, pagos a peso de ouro, rebolam-se de contentes. E, entre dentes, vão oferecendo-se para uma ajudinha na próxima campanha eleitoral.
Pois… Viver não custa o que custa é saber viver.

Com isto não quero dizer que as festas não são importantes e até necessárias. São! Desde que não vivam às custas dos dinheiros públicos e que não sirvam como promoção politico/partidária e, até, como promoção pessoal dos líderes autárquicos.

Quanto às verbas gastam com os artistas do top-music, essas, são na ordem dos milhares (e muitos) de euros por actuação. Isto, enquanto aos ranchos folclóricos – por exemplo – apenas são pagas as refeições e as deslocações.
Eu sei… Um Emanuel (não sei se é assim que se escreve) atrai mais povinho ao recinto das festas do que um rancho folclórico. E o que interessa é o número de pessoas para ver o artista e, simultaneamente, o senhor(a) presidente que, normalmente, não entra em palco mas que faz todos os possíveis para dar nas vistas.
Pois… È o marketing político.
Manuel Abrantes

Comentários:
Pois é, Sr Abrantes!

É a Democracia Representativa no seu melhor. O Povo só interessa quando vota e, se possível, em nós, que isso é que é votar bem! Dê-se-lhe quanto baste de “circensis”(o "panem" que o vá comprando ele), não à nossa custa, evidentemente, mas à do erário. Damos-lhe o presunto, ele dá-nos o porco e ainda fica contente com a troca!

Para quando a verdadeira democracia, a Democracia Directa no Poder Local? Cidadãos indicados pelas associações – as forças vivas - existentes localmente, reunidos num fórum onde os assuntos que a todos pertencem obtivessem o interesse de todos e o necessário consenso que a todos responsabilizasse.

Utopia? Talvez não!

SUEVO
 
Pois é, o povo antes quer ver um artista que canta em playback e que cobra uns bons milhares de euros para cantar durante 1 hora do que uma banda filarmónica que para actuar durante um dia inteiro leva 3000 euros ou menos e que toca música de qualidade...
E é esta a triste realidade do nosso país.
Francisco Pereira
Falangistacampense.blogspot.com
 
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